Pela segunda vez na história das copas, uma partida foi comandada por um trio de arbitragem totalmente feminino. O jogo ocorreu nesta quinta-feira (18), entre República Tcheca e África do Sul, e terminou empatado em 1 a 1. Na arbitragem estavam Tori Penso, Brooke Mayo e Kathryn Nesbitt, dos Estados Unidos.

A primeira vez que isso aconteceu foi na Copa do Catar, em 2022, no encontro entre Costa Rica e Alemanha pela fase de grupos, que contou com a auxiliar brasileira Neuza Inês Back.
O quadro de árbitras do mundial deste ano ainda tem as mexicanas Kátia Itzel García, árbitra principal, e a assistente Sandra Ramírez, além da nicaraguense Tatiana Guzmán, que atua na arbitragem de vídeo.
Luciana Zogaib, narradora da TV Brasil e da Rádio Nacional – emissoras da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação –, explica a importância de esses espaços também serem ocupados por mulheres:
“A gente vem vendo esse crescimento nos campeonatos nacionais, com a presença das mulheres na arbitragem, assim como em outras questões também que envolvem o futebol. E eu acho que é muito importante nesses torneios maiores, como é o caso da Copa do Mundo, o maior evento do futebol mundial, essa presença, porque você estimula com que outras mulheres possam também almejar essa posição e se interessar por essa profissão.”
Luciana afirma ainda que a tendência é que as mulheres continuem ganhando mais oportunidades em grandes competições:
“Imagino que elas vão ter cada vez mais. Nós vamos ter mais oportunidade de ver mulheres, em números maiores, tanto em copas como em Jogos Olímpicos, Eurocopa, enfim, todos os torneios. E essa presença faz com que venha o interesse de outras mulheres a também ocupar esses espaços, porque a referência é muito importante.”
Para a treinadora de futebol Leticia Amorim, o preconceito foi um dos obstáculos que dificultaram a entrada das mulheres no mundo da bola:
“Eu acho que nós, mulheres, sempre tivemos competência para ocupar esses espaços dentro do futebol. E, muitas vezes, esses direitos nos foram negados simplesmente pelo preconceito por sermos mulheres. Eu fico muito feliz de ver um evento do tamanho da Copa do Mundo tendo essa representatividade para as mulheres na questão da arbitragem, porque precisamos ocupar esses espaços para valorizar o nosso trabalho.”
A presença feminina na Copa do Mundo não se limita apenas aos campos. As arquibancadas estão cada vez mais cheias de torcedoras apaixonadas por futebol. A estudante Maria Eduarda, de 21 anos, acredita que a sensação de pertencimento é o motivo desse aumento do interesse feminino na Copa do Mundo e no futebol em geral.
“Eu acredito que esse crescimento é um reflexo de uma maior sensação de pertencimento e de ocupação de espaços que antes eram de homens. Hoje, a internet e as redes sociais mudaram a forma de como consumimos os esportes, trazendo formatos muito mais dinâmicos e inclusivos. Nós temos cada vez mais mulheres também comentando, criando conteúdo e analisando jogos com propriedade, o que gera também uma identificação imediata.”
Interesse que tem tudo para continuar crescendo.
Copa do Mundo Feminina
Ano que vem, a Copa do Mundo feminina da Fifa será realizada no Brasil, em oito capitais brasileiras, entre os dias 24 de junho e 25 de julho. A Seleção Brasileira já está classificada automaticamente por ser o país-sede do torneio.
*Com supervisão de Bianca Paiva
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