Um estudo independente de pesquisadores do NetLab UFRJ, Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aponta que o programa federal de renegociação de dívidas Desenrola Brasil tem sido alvo de uma série de anúncios fraudulentos, causando prejuízos financeiros e morais a usuários de redes sociais. As falsas propagandas se baseiam em estratégias de desinformação, utilizando recursos como linguagem sensacionalista e promessas de resultados irreais, entre eles descontos muito abaixo do valor de mercado, como a quitação de dívidas acima de R$ 8 mil com um pagamento de apenas R$ 40 reais.

O levantamento indica que 72% dos anúncios fazem uso indevido do nome e da imagem do governo ou de marcas privadas, imitando, inclusive, a identidade visual do programa para induzir os usuários ao erro. Além disso, cerca de 38% das propagandas usam conteúdo gerado por inteligência artificial, como vídeos manipulados. Também é apresentado um falso programa, chamado Libera Brasil, que permitiria ao usuário limpar seu nome com um pagamento de até R$ 70.
Marie Santini, diretora do NetLab UFRJ, resume o modo como o golpe confunde os usuários no ambiente digital:
“As pessoas veem anúncios legítimos e ilegítimos numa mesma plataforma, no Instagram, no Facebook, juntos, misturados, conteúdo que tem qualidade, conteúdo que tem valor, com conteúdo que é absolutamente fraudulento. Eles ficam todos misturados no mesmo lugar, e para o usuário, é muito difícil diferenciar, e, claro, isso torna as pessoas cada vez mais vulneráveis”.
Fiscalização ineficaz
A especialista também defende que as plataformas precisam ampliar a fiscalização dos anúncios veiculados:
“Não estão verificando a legitimidade e a autenticidade dos anunciantes. Estão aceitando qualquer tipo de anúncio, para ganhar dinheiro a qualquer custo. Então, acho que esse é o grande problema. Como a plataforma não trava, esses anunciantes conseguem comprar o anúncio, conseguem segmentar, conseguem fazer tudo, e eles acabam circulando”.
O estudo aponta ainda que 83% da população brasileira tem medo de sofrer um golpe pela internet ou pelo celular. De acordo com a pesquisa, nos últimos anos, o Brasil registrou mais ocorrências de estelionato eletrônico do que de roubos.
A Meta, empresa responsável pelas redes sociais analisadas, foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.
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